Voltar para home
Untitled Document
       Parceiros/Afiliados:
Untitled Document
       Agenda de Eventos:
    Dia atual   Dia do Evento
 
Untitled Document
FTP Restrito  |    Contato       


Crise Alimentar e Alternativas

Indústrias de alimentos vão para o campo em busca de parcerias

Objetivo é investir em novas variedades, obter melhores produtos e que atendam ao mercado

Empresas investem em centros de pesquisa para ajudar agricultores a desenvolver produtos com maior qualidade



MAURO ZAFALON
COLUNISTA DA FOLHA

Qualidade do produto, custos e adequação da matéria-prima às necessidades da empresa têm levado cada vez mais as indústrias de alimentos para o campo.
Nessa lista entram indústrias que utilizam batata, milho, trigo, pipoca, ervilha, mandioca, mandioquinha e até inhame.
Elas não medem esforços para investir em novas variedades agrícolas, que serão destinadas aos produtores com os quais mantêm parcerias.
Um desses casos é o da Pepsico, uma das grandes indústrias mundiais de alimentos. Apesar de o objetivo final da empresa ser a produção de alimentos industrializados, os investimentos em pesquisas agrícolas somam US$ 20 milhões por ano.
Além desses investimentos na busca de novas variedades agrícolas, a empresa gasta um volume ainda maior de recursos em fomento aos produtores.
Só na América do Sul, esses investimentos somam US$ 11 milhões e agregam treinamento, cursos e visitas a campos monitorados por agrônomos.
"A marca é o patrimônio da empresa", diz Jorge Tarasuk, vice-presidente de operações da divisão de alimentos da Pepsico América do Sul, ao se referir à necessidade de a indústria fazer um controle dos produtos e, consequentemente, obter segurança alimentar.

NOVAS VARIEDADES
A Yoki, outra indústria de alimentos, vai na mesma linha da Pepsico.
Sem a oferta de produtos de qualidade no mercado interno e dependente de importações, principalmente de milho pipoca, a empresa foi em busca de variedades mais produtivas e específicas para sua linha industrial.
A empresa passou a oferecer novos cultivares aos produtores e a produção nacional substitui as importações.
Um dos feitos mais recentes da Yoki foi a "nacionalização" da ervilha, produto originalmente importado do Canadá. Embora ainda esteja dependente de compras externas, a Yoki já consegue cultivares adaptáveis a regiões do Rio Grande do Sul.
O resultado é que em pouco tempo a empresa deixará de importar esse produto, segundo Gabriel João Cherubini, vice-presidente da Yoki.
O executivo não revela quanto a empresa destina a esses investimentos voltados para o campo.

CEVADA E CAFÉ
Na mesma linha das demais, a AmBev também mantém centros de pesquisa no Sul e desenvolve variedades próprias de semente de cevada. A empresa tem uma área de 75 mil hectares de cevada em parceria com produtores na região Sul.
"Essas nossas parcerias mantêm viva a cultura da cevada no Brasil", diz Marcelo Otto, diretor agroindustrial da AmBev.
A italiana Illycaffè também teve de ir a campo e orientar os produtores para obter um café específico para o seu "blend".
Como metade do café que industrializa na Itália sai do Brasil, a Illy instituiu prêmios para obter um produto de melhor qualidade.
Além disso, criou uma "universidade do café" no país e instituiu um clube para produtores trocarem experiências. Tudo isso para dar condições aos cafeicultores de elevar o padrão do café.
"Não damos nada de graça para ninguém, apenas pagamos o preço justo pelo produto adquirido", diz Nelson Carvalhaes, sócio-diretor da Porto de Santos Comércio Exportação e Importação Ltda., empresa responsável pelas compras da Illy no Brasil.




 


União traz ganhos para as empresas e os produtores

DO COLUNISTA DA FOLHA

Para obter um retorno confiável do campo, a Pepsico desenvolve variedades adequadas para os diversos produtos que utiliza, levando em consideração as peculiaridades de cada região.
"O resultado é um produto de melhor qualidade, com uso de menos agroquímicos, custos menores para a empresa e renda maior para os produtores", diz Tarasuk.
Com uma demanda grande por batata, aveia, milho, girassol, trigo e óleo de palma para a fabricação de seus produtos, a Pepsico buscou parcerias com empresas que detêm tecnologia no setor agrícola, como a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Agropalma.
Além disso, utiliza tecnologias das líderes de mercado como Syngenta, Basf, Pionner e Monsanto para o desenvolvimento de variedades de milho e de girassol.
"Não queremos reinventar a roda", diz Tarasuk.
A empresa tem centros de pesquisas nos Estados Unidos, no México, na Austrália, na Inglaterra e no Peru.
Em alguns desses centros, como o do Peru, a empresa consegue cultivares adaptados ao clima tropical, trazendo novidades para o Brasil.

RENTABILIDADE
Essas empresas fazem contratos com os produtores, fornecem sementes adequadas e garantem rentabilidade. Na avaliação dos executivos, ganha a indústria -que consegue um produto com origem conhecida e custos menores- e ganham os produtores, cuja rentabilidade é garantida.
A presença da AmBev no campo também visa a busca de variedades de maior produtividade e a obtenção de um produto de melhor qualidade. Além disso, a empresa tem garantia de oferta de produto e renda aos produtores, segundo Otto.
Em alguns casos, as indústrias já fazem o controle de qualidade na própria lavoura. Alguns produtores da Pepsico, que consome 125 mil toneladas de batata por ano, descascam o produto na hora da colheita, cortam e fritam para ver se a matéria-prima atinge a qualidade exigida pela indústria. (MZ)
 


 


Brasil pode ser solução rápida para ajudar na crise alimentar

MARCOS FAVA NEVES
ESPECIAL PARA A FOLHA

Nos últimos meses, ganhou enorme repercussão mundial a volta da crise alimentar, devido aos preços recordes das commodities agrícolas, que aumentaram 40% em um ano. Os efeitos são o aumento da fome, a inflação em muitos países, os problemas de segurança e a queda de governos.
A outra crise alimentar recente, de 2008, estava lastreada em nove fatores estruturais, conforme avaliei na ocasião. Alguns deles com origem na área social, como o crescimento da população mundial, o aumento e a distribuição da renda e a urbanização. Outros estão ligados ao mercado de combustíveis, como o uso de grãos e de terras para a produção de biocombustíveis e o próprio preço do petróleo.
Aliado a isso, houve queda na produção agrícola, especulação dos fundos nos mercados financeiros, programas governamentais de assistência e a desvalorização do dólar.
Recentes e preocupantes declarações públicas do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que, em carta à presidente Dilma Rousseff propôs que o G20 atue no mercado de commodities, sugerem mais intervenção -não bastasse o protecionismo e todo o rol de dificuldades diárias impostas aos países produtores. São medidas que vão na direção contrária do que deve ser feito.
A janela que se abriu na mídia mundial não pode ser desperdiçada. A presidente Dilma deve mostrar que o Brasil pode ser a solução mais rápida para ajudar na crise alimentar.
O país oferece de 60 milhões a 100 milhões de hectares para serem convertidos em plantações -fora o ganho de produtividade nas terras atuais.
Mas, para o Brasil ganhar ainda mais espaço como fornecedor global de alimentos, é preciso remover travas tributárias, trabalhistas, tecnológicas, ambientais, financeiras, jurídicas e logísticas apontadas há tempos.
A necessidade de uma oferta maior de alimentos no mundo pode ser uma grande oportunidade para o Brasil.
Se as exportações do agronegócio atingirem US$ 200 bilhões até 2020, será possível gerar empregos, renda, impostos, o desenvolvimento do interior do país e o crescimento sustentável. Além disso, o Brasil também conquistará respeito.
Afinal, será o maior fornecedor de alimentos do mundo.






MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento na FEA/USP (Campus de Ribeirão Preto) e coordenador científico do Markestrat.

mfaneves@usp.br



 


Venda antecipada aumenta na safra 2010/11

A venda antecipada de produtos agrícolas (antes da colheita) está acima da média na safra 2010/11.
Todos os anos, para se capitalizar e diminuir o risco de queda de preço, os produtores vendem parte de sua produção antecipadamente.
Neste ano, com os altos preços das commodities, os produtores estão ainda mais adeptos dessa prática.
Consultorias apontam que cerca de metade da produção de soja já foi vendida. Para a Informa Economics FNP, 47% da produção havia sido comercializada ao final do mês passado, percentual bem acima da média dos últimos cinco anos, de 39%. No mesmo período de 2010, esse percentual era de 28%.
"Além de o preço garantir o custo, deu margens excepcionais para o produtor", afirma Aedson Pereira, analista de grãos da FNP.
Em Passo Fundo (RS), por exemplo, o preço médio de venda da saca de 60 quilos para entrega em maio foi de R$ 47,20, ante custo de produção de R$ 23,11, na média, segundo Pereira. O produtor garantiu, portanto, margem de lucro de 50%.
Dúvidas quanto à produção na Argentina neste ano aumentaram o interesse das tradings em comprar antecipadamente a safra brasileira.
Com preços no maior nível da história, os produtores de algodão também aceleram a venda da safra que ainda vai ser colhida. Segundo Haroldo Cunha, presidente do Instituto Brasileiro do Algodão, pelo menos 1,1 milhão de toneladas da safra 2010/11 (cerca de 60% da produção) já foram comercializadas.
Nesse caso, a venda antecipada estaria perto do limite. Os produtores costumam deixar uma margem de segurança de 40%, no caso de a produção ficar abaixo do esperado e para venda no país.
Para aproveitar os bons preços, os cotonicultores já começam a vender algodão que será colhido apenas no próximo ano. Segundo Cunha, 150 mil toneladas da safra 2011/12 já foram vendidas.
Alta produtividade O atraso das chuvas não impede a expectativa de produtividade recorde da soja neste ano, que pode alcançar 50 sacas por hectare, estima Vicente Gongora, da fabricante de agroquímicos DVA. "O momento é excelente para a soja precoce." Bons frutos A Cooperativa Vinícola Aurora deve receber de seus associados mais de 50 mil toneladas de uva nesta safra -crescimento de 20% em relação à anterior. A empresa comemora a boa qualidade das frutas neste ano e 80 anos de fundação na segunda-feira. Desafio Diante do bom rendimento da atual safra de uva, as empresas associadas ao projeto Wines of Brasil pretendem aumentar em 90% as exportações de vinho neste ano, para US$ 4,4 milhões, após estabilidade em 2010. As importações cresceram 27% no ano passado. Confinamento O pecuarista Eduardo Alves de Moura (MT) será o próximo presidente da Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), no lugar de Ricardo de Castro Merola. Rodrigo Penna de Siqueira (GO) permanece como vice. A entidade reúne 61 confinamentos, que abatem cerca de 500 mil cabeças de bovinos por ano.



 


 


Inflação de alimentos: culpa de quem?











A demanda cresceu nos emergentes, a oferta nem tanto e os especuladores inflaram mais os preços









O MUNDO DEBATE a alta dos preços dos alimentos. E já começaram a surgir posições terroristas sobre a questão.
O fundador do Worldwatch Institute, Lester Brown, por exemplo, disse recentemente que, se as safras de grãos não forem boas no futuro próximo, "veremos novos aumentos que levarão o mundo ao território não mapeado da relação entre preço de alimentos e estabilidade política".
Ele amplia o catastrofismo: "Os preços dos alimentos subirão para níveis anteriormente impensáveis. Os saques de alimentos se multiplicarão, agitação política se espalhará, e governos cairão". E arremata, trágico: "O mundo está hoje a uma safra ruim do caos nos mercados mundiais de grãos".
Trata-se, evidentemente, de um exagero muito grande. Claro que há um problema real de inflação de alimentos, e já tratamos disso neste espaço mais de uma vez.
E as causas estão fora do Brasil. Elas se devem a fatos já evidenciados: a demanda cresceu muito nos países emergentes, a oferta não acompanhou esse crescimento, os estoques mundiais caíram e os especuladores inflaram os preços ainda mais. O resto é secundário.
Mas começo a me preocupar com uma possibilidade: logo, logo vai aparecer algum maluco dizendo que a culpa é da ganância dos agricultores. Ora, estes, especialmente os brasileiros, não têm absolutamente nada a ver com isso.
Aliás, é exatamente o contrário, como se pode verificar pelos últimos e sucessivos aumentos de produção. Nesta safra mesmo, cuja colheita está se iniciando, talvez estabeleçamos novo recorde, chegando a 153 milhões de toneladas!
Como os preços subiram no mundo todo, e sendo a economia globalizada, os nossos produtores também recebem o impacto positivo disso, mas eles não são os causadores do aumento de preços. Na verdade, os nossos produtores acabam recebendo bem menos que os de fora, que recebem em dólares: o real valorizado tira parte desses ganhos.
Pode-se dizer que a carne bovina subiu demais, e é verdade. Mas há também razões fortes para isso. Nos últimos anos, os preços da carne estavam tão baixos que os pecuaristas mandaram as fêmeas para o frigorífico. Com isso, o nascimento de bezerros caiu -e a oferta de carne diminuiu. Consequentemente, os preços subiram bastante no ano passado, até por causa da demanda mundial ascendente já referida.
Além disso, a seca de 2010 no Centro-Oeste e no Sudeste do país reduziu drasticamente a produção de carne. Mesmo assim, o preço já caiu em janeiro deste ano. Pouco, mas caiu.
Segundo a Scot Consultoria, o produtor de boi recebe mais ou menos R$ 6,83 por quilo do traseiro (mais ou menos porque o boi é vendido por arroba, e há diferenciação de preços entre traseiro -filé, contrafilé, picanha, maminha, alcatra, coxão mole e duro, lagarto, aba- e o dianteiro -carne de segunda), o frigorífico vende esse mesmo quilo por R$ 10,39 e o varejo, por R$ 20,34. É certo que todos têm seus custos, mas é evidente que há desequilíbrio nas margens de cada elo da cadeia, e isso precisa ser bem avaliado. Mas como resolver o problema global de inflação? A solução definitiva só virá com safras abundantes, e isso depende basicamente de três fatores:
Clima: se chover bem, já no ano que vem se restabelecerá o equilíbrio, porque o mundo todo vai aumentar o plantio com esses preços bons, produzindo muito mais, e os preços cairão.
Políticas públicas adequadas e estimulantes por parte dos governos dos países produtores. Redução dos subsídios dos países ricos. É isso que o presidente da França e do G20, Sarkozy, deveria defender, em vez de suas propostas populistas. Se, nos próximos dez anos, a União Europeia só aumentar em 4% sua produção de alimentos (segundo a OCDE), os europeus deveriam reduzir seu brutal protecionismo para fomentar os países tropicais a produzirem muito mais, o que não acontece hoje porque não podem competir com os tesouros dos poderosos.






ROBERTO RODRIGUES, 67, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Depto. de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.

rr.ceres@uol.com.br




-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------




Untitled Document
Endereço: SDS, Ed. Conj. Baracat, Nº. 27, Salas 212/213 - Brasília-DF
Fone/Fax: (61) 3226-3277 - ancosol@ancosol.brte.com.br