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Brasil ocupa 9º lugar em desigualdade na América Latina

Matéria do dia 24/07/2010


Brasil ocupa 9º lugar em desigualdade na América Latina


Para novo índice da ONU, disparidade de renda é o fator que mais pesa contra o país

LARISSA GUIMARÃES
DE BRASÍLIA

Entre os países da América Latina, o Brasil ocupa a 9ª colocação no ranking que mede o efeito da desigualdade no desenvolvimento humano.
As informações são do IDH-D (Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à Desigualdade), novo indicador criado pelo Pnud, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Esse novo parâmetro é calculado com base em dados de 2006, considerando informações sobre rendimento, educação e saúde nos países, assim como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que é divulgado desde a década de 90.
O novo indicador foi criado para mostrar as disparidades que ocorrem nos países da América Latina.
Na década de 90, o Pnud já havia começado a divulgação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que é formado por dados diferentes.
O IDH-D, por exemplo, considera fatores como o acesso à água potável e a disponibilidade de banheiro no domicílio, no aspecto da saúde.
Já o índice de desenvolvimento humano original leva em conta apenas expectativa de vida nesse quesito.
De acordo com o programa das Nações Unidas, a desigualdade de renda é o fator que mais pesa nesse cálculo, tendência que é seguida na América Latina, porém em menor intensidade do que ocorre no Brasil.
"O IDH original não é corrigido pela desigualdade. Já IDH-D traz dados mais minuciosos, que revelam mais nuances sobre o padrão de vida da população de um país", afirmou Rogério de Oliveira, consultor do relatório sobre desenvolvimento humano para a América Latina e o Caribe.


ANÁLISE

Desigualdade latina, a maior do mundo -mas em queda


MARCELO NERI
ESPECIAL PARA A FOLHA

Se no futuro um historiador fosse nomear as principais mudanças ocorridas na sociedade brasileira e latino-americana na primeira década do terceiro milênio, poderia chamá-la de década da redução da desigualdade de renda. Da mesma forma que a de 90 foi a da estabilidade para nós (depois dos vizinhos) e a de 80 a da redemocratização.
De 2001 até 2008 a renda real per capita dos 10% mais ricos cresceu 11,2% e a dos 10% mais pobres 72% puxados como o crescimento e os olhos dos chineses. Existe paralelo entre a fotografia e os movimentos do Brasil e da América Latina. Em ambos, o nível da desigualdade é dos mais altos do mundo, mas está em queda.
A
má notícia é que ainda somos muito desiguais, a boa notícia prospectiva é que há crescimento a ser gerado na base da pirâmide social. Há três contribuições centrais do relatório do Pnud: 1) Incorporar o efeito da desigualdade em todas as dimensões centrais do desenvolvimento humano -leia-se educação e saúde para além da renda.
Não estamos apenas olhando para médias, mas para a distribuição desses elementos ao longo de nossas desiguais sociedades. 2) Alongar o horizonte de tempo para além dos anos correntes, ou mesmo do ciclo de vida das pessoas, o que já seria um formidável avanço. O relatório vai além, olhando a transmissão da desigualdade entre gerações pelas vias da educação.
3) Olhar as aspirações e as atitudes subjetivas através da investigação sistemática e objetiva de aspectos subjetivos. Não há mudança real, sem a visão e ação daqueles que as protagonizam.
Apesar de todas as dificuldades e os riscos associados à empreitada, podemos agora começar a tentar entender as mentes inspiradoras do realismo fantástico de Gabriel Garcia Márquez ou dos bares lúgubres de Mário Vargas Llosa.

MARCELO NERI, economista, é chefe do Centro de Políticas Sociais vinculado à Fundação Getulio Vargas.




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