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mudanças climaticas impactam agropecuaria

Tempo frio causa morte de 2.700 bois em MS


Municípios na região da fronteira com o Paraguai registraram 3ºC

Acre ficou próximo de ter frio recorde; no domingo, a temperatura em Rio Branco, capital do Estado, chegou a 7ºC

DE CUIABÁ
DE MANAUS


Uma onda atípica de frio nas regiões Norte e Centro-Oeste do país nos últimos dias provocou a morte de gado em Mato Grosso do Sul e quase registrou um recorde de temperatura no Acre.
Segundo a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), 2.700 bois morreram por causa da queda brusca da temperatura em Mato Grosso do Sul.
As mortes aconteceram principalmente na fronteira com o Paraguai, onde foram registradas temperaturas mínimas de até 3ºC.
Segundo a diretora-presidente da Iagro, Maria Cristina Carrijo, a queda brusca da temperatura contribuiu para a ocorrência das mortes.
"Houve uma inversão térmica brusca, com queda de mais de 20 graus em cerca de seis horas", afirmou Maria Cristina.
Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, são investigadas as mortes de quatro moradores de rua nos últimos dias, supostamente causadas pelo frio intenso.
A polícia afirmou ver indícios de morte por hipotermia, devido à ausência de lesões nos corpos.

NORTE
No Acre, o frio ficou próximo do recorde em Rio Branco, capital do Estado.
No domingo, a temperatura chegou a 7ºC -a mais baixa já registrada no local foi de 6C, em 1975.
De acordo com Lúcia Gularte, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a friagem atípica é resultado da ação de uma intensa massa de ar frio e seco.
Ontem, em Manaus, a mínima registrada foi de 20ºC, segundo o Inmet.
(RODRIGO VARGAS e KÁTIA BRASIL)


 


ANÁLISE SOJICULTURA

Calor elevado da La Niña pode afetar a safra de soja dos EUA


FERNANDO MURARO JR.
ESPECIAL PARA A FOLHA

Um tema aproxima a soja da Copa do Mundo neste ano: a língua espanhola. Os espanhóis, num jogo de eficiência e de poucos gols, levantaram a taça na África do Sul.
A La Niña ("a menina", na língua dos campeões mundiais), que chegou com a festa do futebol, agora ameaça roubar parte das sacas previstas para a safra 2010/11 dos Estados Unidos. O calor que faltou nos jogos e nas emoções da África do Sul sobra no Meio-Oeste norte-americano.
A primeira quinzena deste mês transformou o cinturão de produção dos EUA em um verdadeiro caldeirão. O resultado foi um rali de alta de US$ 1 por bushel na Bolsa de Chicago (cada bushel equivale a aproximadamente meia saca de 60 quilos) e os melhores preços do ano, em reais, mas principais praças brasileiras.
Em Paranaguá (PR), a saca passou de R$ 39,50 há duas semanas para R$ 43 na última sexta-feira. A especulação climática é sempre bem- -vinda, ainda mais quando faz subir os preços por aqui.
Nos últimos dois anos, a safra norte-americana foi ciceroneada por um persistente clima chuvoso e frio. Em 2009, o atraso na instalação das lavouras de soja e de milho foi marcante. Tanto que o tema geadas e seus efeitos negativos sobre a produtividade rendeu especulações até o final de setembro.
Ainda assim, os Estados Unidos colheram o maior rendimento da história: média de 49,3 sacas por hectare. E olha que as chuvas continuaram até a colheita, reduzindo a qualidade do milho e provocando filas nas cooperativas e em cerealistas para secar os grãos. Cena rara em terras ianques.
Agora, em 2010, o clima foi perfeito para o plantio, com temperaturas amenas e chuvas escalonadas, do jeito que o produtor gosta.
Todavia, o mês de junho veio com chuvas acima do normal e temperaturas mais elevadas.
Em Iowa, maior Estado produtor de soja dos Estados Unidos, foi registrado o segundo junho mais chuvoso da história, com acúmulo de aproximadamente 250 mm.
O excesso de umidade no período de desenvolvimento vegetativo das plantas fez com que as raízes não se aprofundassem muito. Por isso, daqui para a frente o estrago será inevitável caso falte chuva.
O jogo, fácil no primeiro tempo para as lavouras, parece que vai ser bastante nervoso no segundo, devido à entrada em campo da La Niña, fenômeno que está associado a gols contra na produção dos Estados Unidos, por trazer temperaturas muito acima do normal, como as observadas na primeira quinzena deste mês.
Em resumo: a forte volatilidade e a imprevisibilidade sobre a maior safra do mundo devem fazer com que o mercado só sossegue, se a safra for boa, quando o verão acabar por lá.






FERNANDO MURARO JR. é engenheiro agrônomo e analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas.
Internet: www.AgRural.com.br




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